ATIVIDADE FÍSICA: CAMINHO PARA A PREVENÇÃO DA OBESIDADE
INFANTIL
PRADO, Solange Fernandes.
Orientadora: SIMEONI, Maria Cristina.
UENP - Universidade Estadual do Norte do
Paraná - FAEFIJA
Jacarezinho – PR – Brasil
solangefprado@hotmail.com
Resumo
O presente estudo compreende a etiologia do sobrepeso e da obesidade infantil,
alertando a respeito dos riscos da obesidade nessa faixa etária, identificando
possibilidades de prevenção pela prática de atividade física. Para a elaboração
deste trabalho de pesquisa, foi elaborada uma revisão da literatura. Por ser a
obesidade uma doença de difícil tratamento torna-se prudente considerar a
prevenção como o melhor caminho. O sobrepeso e a obesidade infantil nos últimos
anos tem tido um aumento significativo e preocupante, ligados a maus hábitos
alimentares e a baixos níveis atividade física desfavorecendo o equilíbrio metabólico
energético. Embora as disfunções crônico-degenerativas provenientes do sobrepeso
e da obesidade na infância se manifestem somente na vida adulta, é necessário o
estímulo à prática da atividade física e uma dieta balanceada desde a tenra idade. A
atividade física em combinação com a dieta balanceada é mais efetiva que a dieta
sozinha para a redução e manutenção de peso. Contudo, se os hábitos e estilo de
vida são desenvolvidos nos primeiros anos de vida e continua pela fase adulta, a
intervenção precoce, pode ter um impacto que dure por toda a vida. Independente
de se esperar da criança resultados imediatos, os estímulos à prática de atividade
feita por profissionais de saúde, pais, professores tornam-se prudentes para a
prevenção da obesidade infantil.
Palavras-chave: obesidade infantil; prevenção; atividade física.
Abstract
The present study understands the etiology of the children’s overweight and obesity,
warning about the risks of the obesity in this age group, identifying possibilities of
prevention by the physical activity practice. To elaborate this research it was done a
review of the literature. Being the obesity a disease of difficult treatment it’s wise to
consider the prevention the better way. The children’s overweight and obesity the last
years have had a significant and concerning increase, related to bad eating habits
and low levels of physical activity disfavoring the energetic metabolic balance.
Although the chronic-degenerative dysfunctions that come from overweight and
obesity in the childhood revel only in the adulthood, it’s necessary the stimulus to
physical activities practice and a balanced diet since an early age. The physical
activity combined with a balanced diet is more effective than only the diet for the
weight reduction and maintenance. However, if the habits and lifestyle are developed
in the beginning of life and it continues through the adulthood, the early intervention,
2
it can have an impact that lasts for all the individual’s life. Regardless of waiting
immediate results from the children, the stimulus to practice activities guided by a
professional of health, parents, teachers, becomes wise to prevent the children’s
obesity.
Key words: children’s obesity, prevention, physical activities
Introdução
Inúmeras são as evidências do aumento da prevalência da
obesidade em todo o mundo (SILVA et al., 2007; BOUCHARD, 2003). A obesidade é
hoje, uma doença que constitui uma verdadeira epidemia, tornando-se um
importante problema de saúde pública. Dado que se torna ainda maior, visto pela
proporção acentuada quando se refere à população infantil.
No Brasil, os últimos dados da Pesquisa Nacional a respeito da
Saúde e da Nutrição (INAN-PNSN) de 1998, apresentaram a prevalência de
obesidade em crianças e adolescentes de 7,8% e 7,6% respectivamente (SOARES;
PETROSKI, 2003).
A Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1997, já fazia alarme
para tal epidemia, sendo que mais tarde foi confirmada em estudos, as progressões
nos países ocidentais, Europa Ocidental, Oriental, China e nos países em
desenvolvimento (SILVA et al., 2007).
Essa epidemia mundial é reflexa às mudanças na sociedade, nos
padrões de comportamento ao longo dos últimos anos, incluindo influências
genéticas e o balanço energético. Contribuições também associadas ao dia-a-dia
das pessoas, pelo abandono de atividades físicas, formas de lazer mais passivas,
devido à tecnologia e automatização, impulsionando cada vez mais a epidemia da
obesidade1.
O sobrepeso e a obesidade infantil nos últimos anos tem tido um
aumento significativo e preocupante, ligados a maus hábitos alimentares e baixos
níveis de atividade física desfavorecendo o equilíbrio metabólico energético.
Por ser a obesidade uma doença de difícil tratamento, visto pelas
modestas taxas de sucesso, e pela tendência a perda de peso, seguida de novo
ganho de peso, torna-se prudente considerar a prevenção como prioridade.
(BOUCHARD, 2003). Assim, a prevenção, deve estar focada no alvo principal, as
crianças, a fim de reconhecer precocemente formas de intervenção, evitando que as
mesmas se tornem “de risco” para desenvolverem sobrepeso, impedindo a
gravidade crescente da obesidade.
O interesse em se prevenir a obesidade infantil provém do fato de
que o desenvolvimento da celularidade adiposa neste período será determinante nos
padrões de composição corporal na idade adulta (DÂMASO, 2001, apud CEZAR,
2005; SILVA, 2007).
Contudo, o excesso de peso e de gordura corporal não deve ser
visto apenas como problema estético, mas como um grave distúrbio de saúde que
coloca em risco a expectativa de vida além de ameaçar a boa qualidade da mesma.
1
Doenças crônico-degenerativas e obesidade: estratégia mundial sobre alimentação saudável,
atividade física e saúde. Organização Pan-Americana de Saúde. Brasília: 2003. Disponível em:
3
Sobrepeso e Obesidade: definições e etiologia
A obesidade é resultado de complexas interações ambientais,
metabólicas, fisiológicas, comportamentais, sociais, influências genéticas e, talvez,
raciais, com uma via comum final em que a ingesta energética ultrapassa
cronicamente o dispêndio de energia (KATCH; MCARDLE; KATCH, 1998).
Sua causa pode ser de origem exógena, responsável por 98 % dos
casos, decorrente do equilíbrio energético positivo entre ingesta e demanda
energética. O restante, 2%, considerada endógena, tem suas causas hormonais,
provenientes de alterações no metabolismo (GUEDES e GUEDES, 1998),
curiosamente, com demasia freqüência o obesidade desencadeia uma série de
respostas hormonais anormais (KATCH; MCARDLE; KATCH, 1998).
Três situações podem ser consideradas as causas da obesidade
endógena nos últimos tempos: aumento do consumo de alimentos hiperlipídicos,
sem mudanças no gasto habitual de energia; diminuição do gasto energético diário,
sem alteração da ingesta calórica e propõe ingesta calórica per capita menor
comparado a gerações anteriores, mas que o gasto energético diário diminuído em
proporção ainda maior (BOUCHARD, 1998).
Tendo em vista o histórico familiar, nota-se que quando os dois pais
são obesos, uma criança tem 80% de chance de desenvolver obesidade, caindo
para 40% se apenas um deles for obeso, além de estarem em um ambiente
propenso. E se nenhum deles possuir tal distúrbio, essa criança terá apenas 7% de
chance de se tornar uma criança obesa (SOARES; PETROSKI, 2003). O fator
genético não causa necessariamente a obesidade, porém reduz o limiar para o
surgimento (KATCH; MCARDLE; KATCH, 1998).
De acordo com Silva (et al., 2007, p. 37), a palavra “obesidade
deriva do latim obesitate e denomina a qualidade do obeso”. O sobrepeso é
considerado o aumento excessivo de peso corporal total, por modificações
decorrentes de apenas um de seus constituintes (gordura, músculo, osso e água) e
a obesidade é o aumento generalizado ou localizado de gordura em relação ao peso
corporal, o que ocasiona elevados riscos a saúde (GUEDES; GUEDES, 1998).
Considerando-se assim, o acúmulo de gordura promove o aumento
de peso corporal, justificando o fato de que indivíduos com sobrepeso também
podem ser obesos. No entanto, o excesso de peso nem sempre reflete condição de
obesidade visto que o aumento do peso corporal pode estar associado a um de seus
constituintes e não necessariamente de gordura.
Diagnóstico
Existem vários métodos diagnósticos para avaliar a obesidade na
infância (até 10 anos), sendo a antropometria, o mais utilizado devido ao baixo custo
e fácil utilização, permitindo comparação individual com parâmetros utilizados como
referência, considerando o crescimento como um processo dinâmico e contínuo ao
longo da vida.
A comparação de dados relativos à obesidade em crianças é difícil
devido à falta de padronização na classificação e interpretação dos indicadores de
sobrepeso e obesidade neste grupo etário (BOUCHARD, 2003). No entanto utilizase
como referência a população do National Center for Health and Statistics (1977),
4
recomendada pela Organização Mundial de Saúde (1995), considerando que
mesmo crianças de diferentes etnias, em condições adequadas de saúde de
apresentam crescimento semelhantes2.
O Caderno de Atenção Básica: Obesidade (2006) também descreve
conforme preconizado pelo Ministério de Saúde (2004), os pontos de coorte para o
diagnóstico de sobrepeso/obesidade em cada fase do curso da vida, sendo que em
crianças são utilizados os índices de peso/altura, P≥97° (percentil noventa e sete). E
que também não se pode perder de vista, o acompanhamento linear da criança, pelo
índice altura/ idade (A/I).
E para o diagnóstico de obesidade em crianças, utiliza-se como
método complementar, medidas de dobras cutâneas triciptal e subescapular, de
acordo com os índices indicados para idade. Em geral, uma prega cutânea no nível
ou acima de 85º percentil gera preocupação acerca do equilíbrio energético da
criança e da adiposidade excessiva (KATCH; MCARDLE; KATCH, 1998).
Complicações da obesidade infantil
A obesidade pode ter início em qualquer idade, desencadeada por
vários fatores como o desmame precoce, introdução inadequada de alimentos,
distúrbio de comportamento alimentar e da relação familiar, especialmente da
aceleração do crescimento.
Quando nos referimos a obesidade infantil, podemos elencar
períodos considerados críticos ao desenvolvimento da adiposidade: último trimestre
da gravidez e primeiro ano de vida, idade pré-escolar e puberdade (KATCH;
MCARDLE; KATCH, 1998; GUEDES; GUEDES, 1998). Os excessos, de peso e de
gordura corporal, acumulados nesse período, aumentam o risco do sobrepeso e da
obesidade se instalar, acompanhados de suas complicações.
Embora a obesidade deva ser considerada uma doença em si
mesma, e apesar das manifestações predisponentes associadas ao sobrepeso e a
obesidade ocorrerem apenas na idade adulta, o acúmulo de peso e de gordura
corporal na infância acompanha diversas alterações metabólicas, funcionais,
ortopédicas, e psicoemocionais.
Em conseqüência disso, mais tarde apresentarão um número
considerável de patologias associadas: diabete do tipo 2, hipertensão, doença
cardiovascular, doenças da vesícula biliar, câncer de mama pós-menopausa,
osteoartrites dos joelhos, dores nas costas, além do impacto negativo que a
obesidade tem na auto-estima das crianças, podendo ter implicações a longo prazo
na felicidade e sucesso na vida futura (BOUCHARD, 2003; SILVA, 2007).
Atividade Física e Obesidade
Na infância, a prática de atividades físicas caracteriza-se como
tendência inata, contudo, pode tornar-se susceptível a modificações de acordo com
os estímulos recebidos durante o processo de desenvolvimento, salientando que
crianças seguem os padrões paternos.
Não há dúvidas de que os baixos níveis de atividade física é umas
das causas para o favorecimento de alguns casos de obesidade. O caminho que
2
Caderno de Atenção Básica: Obesidade - Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em:
5
leva ao sobrepeso, sob essas condições não requer qualquer aumento de ingestão
de energia, sendo possível adquirir sobrepeso sem tornar-se hiperfágico em
comparação com outras pessoas do mesmo sexo, idade e estrutura corporal
(BOUCHARD, 1998).
Hoje em dia, as atividades de tempo livre são predominantemente as
de descanso passivo, sendo assistindo televisão, jogando videogame, ou horas no
computador, contribuindo para uma diminuição do gasto calórico diário. Acrescentase
a isso, a utilização de alimentos industrializados, em geral, com maior densidade
energética, o que leva a crescente epidemia de obesidade nessa faixa etária.
Três são os caminhos por intermédio do qual a atividade física pode
influenciar a gordura corporal: o aumento do gasto total de energia, o equilíbrio no
balanço dos macronutrientes (em particular das gorduras) e o ajuste entre a energia
ingerida e a gasta (COUTINHO et al., 1998). Os exercícios podem influenciar no
acúmulo de gorduras ao melhorarem o uso de lipídeos como substrato de energia
(BOUCHARD, 1998). Além do mais a atividade física poderá restringir a proliferação
das células de gordura, diminuindo a capacidade de divisão celular e a probabilidade
da criança se tornar um adulto com sobrepeso e obesidade (GUEDES; GUEDES,
1998; KATCH; MCARDLE; KATCH, 1998).
Os estudos de Soares; Petroski (2003) apontam os exercícios
recomendados como sendo: caminhada, natação, ciclismo, exercícios respiratórios
em geral, exercícios posturais, exercícios de força e resistência, de coordenação
geral e específica e exercícios de equilíbrio. E os não recomendados são aqueles de
alto impacto, que aumentam o risco de lesão ou que provoquem desconforto.
As atividades devem ser desenvolvidas de acordo com o gosto e
capacidade individual, pois este fator é determinante para que haja adesão e
continuidade da criança ao programa. A mesma deve ser prazerosa de forma a
estimular uma participação regular e desestimular o comportamento sedentário.
Prevenção da obesidade infantil
As bases fundamentais para o tratamento da obesidade infantil são
unânimes entre os especialistas: modificações no comportamento alimentar e na
atividade física (BOUCHARD, 2003; SILVA, 2007; KATCH; MCARDLE; KATCH,
1998). O objetivo básico é manter o peso adequado para a estatura, preservando o
crescimento e desenvolvimento normal. A atividade física em combinação com a
dieta é mais efetiva que a dieta sozinha para a redução e manutenção de peso.
Exercícios auxiliam a preservação de massa magra durante a dieta e pode minimizar
a redução da taxa metabólica associada à redução do peso.
Muitas pessoas encaram a ingestão excessiva de alimentos como a
única causa da condição de gordura excessiva. Essa estratégia simplista é
responsável em parte pela falta de sucesso em conseguir manter a perda de peso a
longo prazo. O aumento excessivo de peso costuma se manter um paralelo muito
mais com uma atividade física reduzida que com uma ingestão calórica aumentada.
Os hábitos de vida da família, portanto, tem um papel essencial e preponderante
para desenvolver um estilo de vida saudável nas crianças, visto que o modelo de
comportamento é mais importante do que apenas o encorajamento. Os pais, a
família, assim como as instituições de educação têm um papel importante na
promoção de hábitos e comportamentos saudáveis, pois a criança por si só não
possui entendimento quanto aos danos da obesidade.
6
Considerações Finais
Por meio da revisão da literatura foi possível identificar as causas e
conseqüências da obesidade na infância, e também, identificando formas de
prevenção, sendo uma delas associada à prática de atividades físicas.
Os baixos níveis atividade física levam ao ganho de peso, enquanto
o ganho de peso leva à posterior diminuição da atividade física, formando um ciclo
vicioso. Deixando em dúvida, se a obesidade é causa ou conseqüência do
comportamento sedentário. Contudo, se os hábitos e estilo de vida são
desenvolvidos nos primeiros anos de vida e continua pela fase adulta, a intervenção
precoce, pode ter um impacto que dure por toda a vida. Independente de se esperar
da criança resultados imediatos, os estímulos à prática de atividade feita por
profissionais de saúde, pais, professores tornam-se prudentes para a prevenção da
obesidade infantil. As conseqüências para a saúde variam desde um maior risco de
morte prematura até doenças crônicas que reduzem a boa qualidade de vida do
indivíduo.
O fato é que muitos pais negligenciam a prevenção e
consequentemente o tratamento da obesidade infantil, na expectativa de uma
resolução espontânea advindo ao crescimento, entretanto o risco de surgimento é
elevado.
Referências:
BOUCHARD, Claude. Atividade Física e Obesidade. Barueri: Manole, 2003
CEZAR, Cláudia. Avaliação do estado de nutrição de escolares do município de
São Paulo: uma experiência multidisciplinar envolvendo professores de educação
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fev. 2008.
COUTINHO, Walmir (et al.). Consenso Latino Americano sobre Obesidade.
Disponível em:
2008.
GUEDES, Dartagnan Pinto; GUEDES, Joana E. R. P. Controle de Peso Corporal:
composição corporal, atividade física e nutrição. Londrina: Midiograf, 1998.
KATCH, Vitor L; KATCH, Frank; McARCLE, Willian. Fisiologia do Exercício:
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SILVA, Antônio José (et al.). Obesidade Infantil. Montes Claros: Editora CGB Artes
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7
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Disponível em:
fev. 2008.

Um comentário:
Gostei de ler este teu arigo, muito oportuno.
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